– Que pensar? Claro! – confirmou Algred.

– Não, alternativas.

Algred ponderou por algum tempo, sobre as alternativas que teriam caso não escolhessem a torre como abrigo.

– Bem, todos temos… quer dizer, você pode… – Algred soltou um suspiro. – Acredito que não.

– Então eu aceito! Já posso saber o segredo agora? – repetiu Dex sorridente.

– Sim. – concordou Algred, sorrindo junto com seu filho e pensando em como, para uma criança, algumas coisas são realmente simples.

Algred foi até a carroça e pegou um cantil de couro cheio de água e um cálice de prata. Com o cantil em mãos, aproximou-se da árvore e despejou toda sua água na estranha bacia formada pelas raízes na base, enchendo-a.

Colocou-se, então, em pé de frente para a árvore e a contemplou por algum tempo, para depois dizer em voz alta:

– Ynassheñailÿen Üiloensen an!

Dex espantou-se ao ver o pai dizendo aquelas estranhas palavras.

As palavras ecoaram pela floresta. Repentinamente uma suave brisa começou soprar, fazendo com que os galhos da árvore se movessem lentamente, como se estivessem dançando.

De repente a árvore emitiu um som. Era um som suave e alegre que parecia ser formado por milhares de vozes angelicais em coro. O som se espalhava lentamente por entre as árvores da floresta, que devolviam um eco em forma de sussurro em resposta.

Como se estivesse tomada por uma incontrolável felicidade, a árvore começou a chorar. Sua seiva laranja e cintilante começou a brotar e escorrer de vários pontos de seus grandes e espessos galhos, convergindo em direção ao sulco no topo do tronco em espiral. A seiva laranja incandescente sobre o tronco negro da árvore contrastava de maneira semelhante à de um vulcão com rios de lava descendo por suas laterais.

O líquido espesso parecia ter vontade própria e, como uma cobra, começou a descer através do sulco no tronco, percorrendo toda a espiral até a base, onde encontrou a bacia e a água nela contida.

Assim que a água foi tocada pela seiva, tingiu-se de laranja e começou a emanar uma dourada e suave luminescência, parecida com a mesma luz que emanava das frutabombas.

Algred coletou aquele líquido resplandecente com o cálice de prata e ofereceu à Dex, que assistia tudo aquilo com espanto e admiração.

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