Mas ainda não era totalmente noite quando Algred falou:

– Chegamos.

Aos poucos Algred foi conduzindo a carroça dentro de uma grande clareira, em cuja lateral crescia uma também grande e incomum árvore, por mais que chamar uma árvore que cresce em meio a milhares de outras com folhas vermelhas, de incomum, seja irônico. Ele conduziu a carroça até pararem sob a sombra da estranha árvore, onde desceu e amarrou os cavalos a um galho grosso, que parecia ter nascido para essa única função.

A árvore não chegava a ser alta, mas era muito larga e sua copa avançava para os lados como se fosse a aba de um chapéu gigante. Suas folhas eram vermelhas, como todas as outras árvores da floresta, porém seu tronco era negro, como se tivesse sido vítima de um incêndio. As raízes da árvore eram grandes e aparentes, partindo como tentáculos do tronco e percorrendo o chão sinuosamente umas sobre as outras antes de penetrarem no solo. Por sua vez, o tronco subia sinuoso, numa espiral, dando uma grande volta sobre si mesmo. Pela parte interna descia um grande sulco, formando uma espécie de canaleta, até uma grande raiz exposta em sua base, com forma de bacia. O tronco da árvore tinha uma forma estranha e não natural, parecia ter sido moldado como se fosse um vaso de argila.

Algred deu uma boa olhada ao redor, massageando as costas com as mãos.

Dex também havia descido da carroça e analisava a clareira sem entender.

– Chegamos onde? – perguntou, procurando por algo onde se pudesse morar.

– Você já vai ver. Mas antes eu devo te fazer uma pergunta.

Algred aproximou-se de Dex e ajoelhou, olhando-o nos olhos.

– O passo que você está prestes a dar será o mais importante da sua jornada. Uma decisão que pode mudar totalmente o curso da sua vida. Preciso que você entenda isso e que me diga se aceita que eu te revele esse segredo. – disse Algred com calma, sabendo que seu filho geralmente não conseguiria entender tudo aquilo de primeira.

– Segredo? Qual segredo? Me conta! – respondeu Dex, animado e sorridente.

– Preste atenção! – esbravejou Algred. – O resto da sua vida depende do que você decidir. Pense com calma antes de aceitar.

– Tudo bem, eu aceito.

– Você não pensou! – retrucou Algred quase se descontrolando. – Dexen, você tem que pensar nas alternativas que você possui.

– Eu tenho? – questionou. (continuar)

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