levemente curvadas. Aquelas orelhas enormes projetavam-se para os lados em uma leve diagonal para cima e eram selvagemente carnudas.

– Um elfo! – pensou Dex.

Mas, em todas as histórias que havia ouvido sobre os elfos, eles eram descritos como criaturas douradas e radiantes. Aquele ser que estava à sua frente tinha as principais características dos elfos, mas era uma espécie de versão sombria dos elfos das histórias que havia escutado.

– Será que este é um elfo negro? – ponderou.

Antes que pudesse decidir o que fazer, o estranho levou a mão ao rosto e colocando o dedo indicador sobre a boca e o nariz, chiou:

– Shhhhh…

A voz daquela criatura era límpida e seu chiado soou como a nota suave de uma flauta. Lentamente o estranho moveu-se para o lado sem fazer som algum, deixando-se encobrir pela sombra da árvore e fazendo Dex ter a nítida impressão de que ele havia ficado transparente antes de desaparecer por completo.

Após alguns momentos, Dex percebeu o pequeno grupo que se aproximava parando sua marcha, para logo depois continuar sua corrida ruidosa em outra direção, distanciando-se deles.

Correu até seu pai e chacoalhando-o levemente o acordou.

– Pai, tem gente por perto! – sussurrou.

– O quê?! – Algred acordou de um pulo, para depois calar-se e observar cuidadosamente as redondezas tentando escutar algum barulho. – Não estou ouvindo nada.

– Acho que eles já foram embora. O elfo negro deve ter atraído a atenção deles! – concluiu.

– Elfo negro?

– Sim, ele estava naquela árvore ali! – explicou, apontando para o local de onde o misterioso garoto de orelhas pontudas havia desaparecido.

– Dex, você deve ter sonhado. – argumentou Algred.

– Não, eu vi um elfo negro! Ele tinha as orelhas pontudas, o cabelo dele era branco e brilhava com a luz do luar!

– Os Elfos não existem mais, Dex. Principalmente os elfos negros. Com certeza você estava sonhando. – explicou Algred pacientemente, e concluiu. – Bem, acho que já descansamos o suficiente, vamos continuar. Ainda temos um longo caminho pela frente.

Daquele ponto em diante não existia mais trilha e o caminho estava totalmente tomado por troncos, pedras, mato e vários buracos. Algred guiava a carroça atenciosamente, sempre procurando encontrar os sinais que os (continuar)


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