Os homens não eram de muita conversa e rapidamente carregaram a carroça com a bagagem, para depois cobrí-la com uma lona.

A antiga carroça era puxada por dois cavalos, estava em boas condições e parecia ser muito resistente. Os cavalos também eram maiores que aqueles convencionalmente usados para esse tipo de trabalho. Tinham uma postura nobre e o pêlo bem cuidado reluzia que sob a luz do luar, ressaltando a poderosa musculatura dos animais.

– Esses não são exatamente cavalos de carga, não é Ornalo? – observou Algred, olhando para o magnífico corcel negro e sua parceira avermelhada com uma estrela branca na testa.

– Não meu amigo, eu tive a liberdade de tomar esses dois corcéis emprestados da nossa guarda. São ótimos cavalos de batalha, chamados Estrela Branca e Noturno. Espero que você não precise, mas no caso de uma emergência, eles serão úteis para a fuga. As celas deles estão na carroça.

Algred tocou o ombro do amigo e concordou com a cabeça. Sabia que aqueles dois corcéis valiam uma quantia considerável em moedas e que Ornalo estava se expondo ao perigo, cedendo-os a eles.

Dex havia acabado de sair da casa. Assim que viu a carroça, deu uma volta em torno dela, analisando o transporte, como que julgando se estava à altura da jornada que vinha pela frente.

– Acho que vai servir. – concluiu, direcionando um sorriso para Algred.

Depositou, então, sua pequena sacola na carroça e escolheu seu lugar para a viagem sentando-se a frente como se fosse o condutor.

Algred ficou aliviado em ver que o filho já estava lidando bem com o fato da repentina partida da vila.

– Bem, velho amigo, acredito que ficaremos um bom tempo sem nos falar. – começou Algred.

– Provavelmente, assim que Drakomir descobrir que vocês fugiram, serei interrogado e me tornarei suspeito de ser cúmplice na sua fuga. Não seria seguro se eu, ou mesmo alguém enviado por mim, fosse até o esconderijo. Mas vocês não estarão totalmente sozinhos, eu já convoquei os vigias. – concluiu Ornalo.

– Então acredito que você conseguiu fazer os preparativos finais. – perguntou Algred, apreensivo.

– Sim…

– Obrigado, eu sei o quanto deve ter sido difícil para você ter quebrado sua promessa. – agradeceu Algred.

Ornalo ficou um tempo calado para depois forçar um sorriso e responder:

– Agora isso não importa. Era necessário que eu o fizesse para assegurar a segurança de vocês, e também como pagamento final da minha


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